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Federação dos Hospitais do Estado de SP alerta serviços de saúde para a meningite

Publicada em 15/04/19 as 08:16h por Jornal da Franca - 52 visualizações


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 (Foto: Regional fm 98,5)

A Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP), representante de 55 mil serviços privados de saúde, está enviando novo alerta para o setor para a ocorrência de meningite.


Em campanha junto aos estabelecimentos de saúde, a Federação pede cautela e cuidado no diagnóstico de pacientes que chegarem aos pronto-socorros, clínicas e hospitais com sintomas parecidos com uma gripe.

Segundo o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da FEHOESP, com a ocorrência de casos de meningite meningocócica, dengue, zica e chikungunya e a volta do sarampo, é preciso redobrar a atenção para que sintomas de uma doença mais grave não sejam confundidos com o de uma gripe. “Importante que serviços de saúde, médicos e profissionais estejam atentos à ocorrência dessas doenças e realizem um diagnóstico criterioso para que não ocorram erros de avaliação”, ressalta o médico.

No entanto, o presidente da FEHOESP alerta  para o fato de que não existe integração entre as políticas públicas de saúde e o setor privado. “Funcionam como dois sistemas independentes. É como se o segmento privado funcionasse dissociado do sistema público de saúde, que deveria ser único, hierarquizado e totalmente integrado. A falta de integração propicia atendimentos em duplicidade, dificuldades no acesso do paciente, maiores custos e menor eficiência no atendimento médico-hospitalar”, destaca.

Para o médico, é imprescindível integrar as ações preventivas  para que o sistema de saúde realmente funcione como um todo.

Meningites
Consultado pela FEHOESP, o professor e infectologista Roberto Focaccia, autor de diversos tratados da especialidade, explica que o meningococo (Nesisseria meningitidis) existe em todo o globo terrestre e apresenta 12 tipos diferentes dos quais são mais comuns o A, B, C, W, Y. O tipo A é mais epidêmico e ocorre ocasionalmente. O B e o C, fora de epidemias, são os que mais ocorrem.  No Brasil, vem prevalecendo a meningite do tipo C, em segundo lugar os tipos B e W. 

“Mas o que significativamente afeta a gravidade é o estado imunológico de cada indivíduo e o início precoce e adequado do tratamento”, alerta o especialista.

Sintomas e diagnóstico
Clinicamente, o paciente com meningite meningocócica apresenta além do quadro comum de qualquer outra meningite como febre alta, dor de cabeça quase insuportável, vômitos “em jato” não relacionados com a alimentação, confusão mental, musculatura da nuca enrijecida, uma característica especialmente peculiar: pequenas manchas avermelhadas pelo corpo geralmente com um ponto central enegrecido, chamadas petéquias, de fácil visualização. O número é variável e às vezes chegam a apresentar pequenas hemorragias locais. Essas lesões são altamente sugestivas de meningite meningocócica.

O diagnóstico da meningite é dado pelo exame do líquor, que se apresentada com aspecto purulento, aumento da pressão liquórica e alterações típicas a todas as demais meningites (baixa de glicose e aumento das proteínas liquóricas, neutrófilos acima de 50%). No exame direto ao microscópio pode-se rapidamente sugerir, pela morfologia das bactérias, o agente etiológico. A cultura do líquor é fundamental e permite verificar com certeza qual bactéria está causando a meningite, porém o exame pode demorar 2 a 3 dias. “Importante salientar que o uso prévio de antibióticos antes da coleta do líquor impede a identificação bacteriana”, alerta o professor.

Outros exames mais sofisticados, eventualmente disponíveis, aumentam a capacidade de identificar a bactéria e, no caso da meningocócica, permite identificar o tipo de meningococo.

Em algumas situações clínicas é necessário fazer uma tomografia craniana para pesquisa de outras alterações do sistema nervoso central, que podem alterar a conduta terapêutica.

O presidente da FEHOESP lembra que todos os casos de meningite devem ter notificação compulsória à Secretaria Municipal da Saúde. Segundo diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS) definida pelo Ministério da Saúde, o trabalho de investigação de casos de meningite se dá de forma descentralizada, por meio das secretarias municipais de Saúde, com apoio do Estado sempre que necessário.

Tratamento
O tratamento deve ser o mais precoce possível. Os antibióticos devem ser sempre por via endovenosa até a alta. Nos casos em que a meningite clinicamente já permite verificar que se trata de causa meningocócica (petéquias em profusão) pode se iniciar com ceftriaxone endovenoso. Se a etiologia da meningite ainda é duvidosa deve-se iniciar com terapia de alta performance de acordo com as bactérias mais prevalentes com cada faixa etária até a chegada da cultura liquórica. Lembrando que pacientes imunossuprimidos ou que adquiriram infecção hospitalar devem ter aumentado o espectro de ação dos antibióticos, incluindo o combate a anaeróbios, fungos e bactérias oportunistas.

O SUS disponibiliza vacina meningocócica tipo C conjugada (com toxóide tetânico ou diftérico dependendo do fabricante) aos 3 e 5 meses, com reforço aos 12-13 anos. Nas clínicas privadas é possível comprar vacinas meningocócicas quadrivalentes (tipos A,C,W,Y) e a vacina recombinante tipo B.

Importante salientar que populações já imunizadas naturalmente por infecções assintomáticas respondem muito melhor às vacinações. Como no Estado de São Paulo, o meningococo tipo C já circulou muito e sensibilizando boa parte da população, a vacina meningocócica C comum ou conjugada tem eficácia sempre melhor.

Números da Secretaria da Saúde
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, comunicou que o Centro de Vigilância Epidemiológica registrou 7,1 mil casos e 408 óbitos em 2018 considerando todas as etiologias de meningite (bacteriana, viral e outras não especificadas). Neste ano, até fevereiro, foram contabilizados 495 casos e 26 óbitos.

Segundo o órgão, “não há evidência de nenhuma anormalidade no cenário epidemiológico da doença neste momento. Em casos de surtos localizados, sempre que necessário, as vigilâncias epidemiológicas são acionadas para agir imediatamente na investigação dos casos e providenciar a vacinação dos grupos específicos com o objetivo de conter a transmissão”.





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